Enfermagem forte exige um Conselho comprometido

A qualificação precisa estar ao alcance de quem deseja aprimorar seus conhecimentos e construir novas possibilidades na carreira.

A valorização da Enfermagem exige mais do que reconhecimento: depende de instituições capazes de defender direitos, acompanhar as condições de trabalho e responder às necessidades de quem está na linha de frente da assistência. Um Conselho Regional precisa ir além das atribuições administrativas e fiscalizatórias. Deve conhecer a realidade dos serviços de saúde, ouvir os profissionais e transformar suas demandas em ações concretas. Essa é a visão que orienta minha atuação à frente do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) desde 2024.

Com esse propósito, trabalhamos para modernizar a estrutura institucional, ampliar a presença no estado e tornar os serviços mais acessíveis. Uma das principais iniciativas nesse sentido é o projeto Coren Presente, por meio do qual já chegamos a 75 municípios e percorremos mais de 35 mil quilômetros, levando fiscalização, orientação e diálogo às unidades de saúde. A iniciativa também alcançou territórios e serviços de saúde indígena, com fiscalizações inéditas. Em um estado de dimensões continentais, estar presente em diferentes regiões é essencial para compreender as particularidades do exercício profissional e atuar sobre elas.

Essa proximidade também precisa se refletir no atendimento cotidiano. Por isso, implantamos canais de acesso online, por telefone e WhatsApp, mudamos a sede e reestruturamos subseções. Ao mesmo tempo, enfrentamos pendências administrativas importantes, como a quitação de uma dívida trabalhista histórica, acumulada por mais de seis anos. Organizar a instituição era uma condição necessária para oferecer serviços melhores e dar mais estabilidade à sua estrutura.

Na prática, a modernização trouxe mudanças que podem ser percebidas diretamente pelos inscritos. Reduzimos de aproximadamente 30 para sete dias o prazo de emissão de certificados e implantamos a entrega de documentos em até uma hora na sede. Também ampliamos os serviços relacionados à carteira profissional digital e passamos a entregar o documento durante as colações de grau, agilizando a primeira inscrição. São medidas que diminuem etapas e facilitam o acesso a serviços essenciais para o exercício da profissão.

Mas a responsabilidade do Conselho não se limita à prestação de serviços. Defender a Enfermagem significa também agir diante de situações que desrespeitam direitos e comprometem as condições de trabalho. Nesse campo, impugnamos mais de 22 editais que não observavam o Piso da Enfermagem, articulamos a revogação da Lei Estadual nº 12.542/2024, considerada prejudicial aos profissionais, e conquistamos vitórias judiciais relacionadas ao dimensionamento adequado das equipes.

Essa defesa também depende de articulação institucional. Estreitamos relações com o Ministério Público Estadual, o Ministério Público do Trabalho e o Tribunal de Contas do Estado, além de ampliar a participação do Coren-MT nos Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde. Ocupar esses espaços é fundamental para que as demandas da categoria sejam consideradas nas discussões sobre políticas públicas e na busca por melhores condições de assistência.

Outro compromisso foi ampliar as oportunidades de desenvolvimento profissional. Criamos o Coren Capacita e o Capacita Tec, disponibilizamos 10 mil bolsas gratuitas de pós-graduação e alcançamos o nono lugar nacional em participação no Pós-Tec. Também asseguramos, pela primeira vez em Mato Grosso, 10 vagas de mestrado profissional destinadas a enfermeiros do estado. A qualificação precisa estar ao alcance de quem deseja aprimorar seus conhecimentos e construir novas possibilidades na carreira.

A valorização também passa por medidas que fazem diferença no orçamento e na vida dos inscritos. Implantamos descontos de até 30% na anuidade, facilitando a regularização, e criamos o Clube de Vantagens, com abatimentos de até 40% em planos de saúde e odontológicos. Já as três maiores edições da Semana de Enfermagem da história do Conselho reuniram quase 5 mil participantes, fortalecendo a integração e o reconhecimento da profissão.

Sei que esses avanços não eliminam os problemas que ainda afetam a Enfermagem. As condições de trabalho, a valorização salarial, o reconhecimento profissional e a estrutura dos serviços de saúde continuam exigindo atenção e posicionamento. Uma gestão responsável não pode tratar as conquistas como ponto de chegada, mas como parte de um processo que precisa avançar continuamente.

É com essa compreensão que apresento a Chapa 2, formada por profissionais de diferentes áreas e comprometida com a continuidade desse trabalho. Queremos avançar a partir da experiência construída, aperfeiçoar o que já funciona e ampliar a representatividade dentro do Conselho. A inclusão de segmentos como a saúde indígena na composição da chapa reforça a importância de uma instituição que reconheça a diversidade de realidades presentes na Enfermagem mato-grossense, além de grupo de candidatos do empreedorismo, saúde mental, assistência, docência, gestão, urgência e mergência.

Acredito que a avaliação de uma gestão deve considerar suas realizações, mas também a capacidade de reconhecer desafios e construir caminhos para enfrentá-los. Prestar contas é uma responsabilidade de quem ocupa uma função pública. Dar continuidade às iniciativas que apresentam resultados, corrigir o que precisa melhorar e manter a defesa da categoria como prioridade é um compromisso com o futuro. É por esse caminho que quero continuar trabalhando por um Coren-MT presente, preparado e à altura da importância da Enfermagem para Mato Grosso.
 
*Bruna Santiago é enfermeira e candidata à reeleição.