PAPAGAIO CERIMONIALISTA ANUNCIA: LULA SEGUE NO TRONO PARA O QUARTO MANDATO

Virada histórica nas urnas mantém Lula no comando do Brasil; na floresta política, o resultado provoca aplausos de uns e cara de poucos amigos de outros

Atenção, bicharada! O papagaio cerimonialista acaba de ajeitar o terno, conferir a gravata e subir à tribuna da grande floresta da América do Sul para anunciar o resultado que movimentou o reino político brasileiro: Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente e conquistou seu quarto mandato, não consecutivo, à frente do Palácio do Planalto.

Segundo os dados divulgados pela Justiça Eleitoral neste domingo (25), Lula venceu o segundo turno com aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro. A vitória veio depois de uma virada: Flávio havia terminado o primeiro turno na frente, mas não conseguiu sustentar a vantagem na etapa decisiva. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/lula-2018vira2019-e-e-reeleito-para-quarto-mandato-de-presidente

O papagaio abre a cerimônia

— Atenção, senhoras e senhores da floresta! Podem guardar os discursos de despedida e recolher as faixas de mudança! O lendário Lula continua no trono por mais quatro anos!

Foi o suficiente para a bicharada começar a festa. Macacos, tucanos, onças e capivaras fizeram barulho na mata, enquanto o papagaio, todo empolado, parecia acreditar que havia acabado de receber a maior honraria do reino.

No centro da cerimônia, Lula apareceu sentado num majestoso trono dourado, com coroa e manto real. Afinal, na nossa crônica, a República virou floresta e a política ganhou figurino de conto de fadas.

Xi Jinping, Putin e Kim Jong-un aplaudem; Trump ajeita o cabelo

Na fileira dos convidados internacionais, Xi Jinping, Vladimir Putin e Kim Jong-un acompanham a cerimônia com aplausos. Donald Trump, por sua vez, ajeita o conhecido topete, olha para o lado e solta, numa fala imaginária da nossa sátira:

— Perdemos!

A cena é uma caricatura política, não o relato de uma declaração real dos líderes. Na floresta da imaginação, cada personagem representa as expectativas e as frustrações que cercam uma eleição disputada.

A porteira do agro e o voto do trabalhador

Mas a eleição deixa uma pergunta que merece reflexão: como Lula conseguiu virar o resultado depois de terminar atrás no primeiro turno?

Uma das hipóteses debatidas durante a campanha foi a possibilidade de conquistar eleitores preocupados com o custo de vida, o emprego e a renda. No campo, o agronegócio reúne grandes produtores, trabalhadores rurais, motoristas, operadores de máquinas, funcionários de frigoríficos e milhares de pessoas que movimentam o comércio e os serviços.

A chamada “porteira aberta do agro” foi uma metáfora para essa disputa: o voto do trabalhador não pertence ao patrão, assim como a preferência política de um produtor não determina a escolha de toda uma região.

O resultado nacional, por si só, não prova quantos votos vieram desses grupos. Mas a virada mostra que uma vantagem no primeiro turno não garante a vitória final.

O trono não dispensa a responsabilidade

Com o quarto mandato, Lula terá pela frente um país politicamente dividido e um Congresso com forte presença da direita. A vitória nas urnas não elimina as cobranças por segurança, emprego, controle do custo de vida, equilíbrio das contas públicas e melhoria dos serviços.

Na floresta brasileira, o papagaio pode anunciar a permanência do rei, mas quem paga a conta do reino é a população.

E fica o recado final da nossa crônica: na política, a coroa pode até ficar na mesma cabeça, mas a cobrança do povo chega todo dia — faça sol ou caia chuva no Pantanal.