Quase 60 anos depois, o geólogo que encontrou Carajás volta à província que mudou a mineração brasileira

Breno dos Santos visita S11D, unidade da Vale no Complexo Carajás, e vê o futuro do minério de alto teor que ajudou a revelar em 1967

Em 31 de julho de 1967, um helicóptero pousou numa clareira no meio da floresta, no sudeste do Pará, apenas para reabastecer. A bordo estava Breno Augusto dos Santos, um geólogo de 27 anos. Enquanto o piloto cuidava do combustível, ele desceu, observou as rochas e pegou o martelo.

A expedição percorria a Amazônia em busca de manganês. Mas, quando o martelo quebrou a pedra, levantou-se uma poeira avermelhada. “Percebi que era ferro. Então pensei: ‘Uau, isso é tudo ferro?!’”, relembra Breno.

Dois homens estão em um campo em Carajás, ao lado de um pequeno helicóptero com cabine em forma de bolha.
Breno dos Santos (à esquerda) ao lado do helicóptero usado nas pesquisas que levaram à descoberta do minério de ferro de Carajás, no fim dos anos 1960 (Foto: Coleção Breno Augusto dos Santos/ Acervo Espaço Memória Vale)

Era mesmo. Aquele pouso inesperado ajudou a revelar Carajás, que se tornaria a maior e mais rica província mineral conhecida no mundo. O minério de ferro de alto teor encontrado ali mudaria a posição do Brasil na mineração mundial. Hoje, a região é considerada a maior produtora mundial de minério de ferro de alta qualidade.

Breno Santos com o martelo de geólogo entre blocos de minério de ferro em clareira de Carajás, nos anos 60
Breno dos Santos com o martelo de geólogo entre blocos de minério de ferro em clareira de Carajás, nos anos 60 (Foto: Coleção Breno Augusto dos Santos/ Acervo Espaço Memória Vale)

Foi esse cenário que Breno reencontrou no final do mês de setembro. Aos 86 anos e ao lado da família, ele visitou o S11D, em Canaã dos Carajás (PA), quando o complexo da Vale completa dez anos de operação. Diante do que viu, resumiu:

Breno dos Santos

Carajás? Minha vida. Só isso.”

Breno dos Santos

O geólogo passou pela mina, pelo mirante da usina, pelo transportador de correia de longa distância e pelo Centro de Operações Integradas. O S11D faz o beneficiamento à umidade natural, sem usar água no processo e sem barragem de rejeitos. Também adota o sistema truckless, em que correias transportadoras substituem boa parte dos caminhões.

Mesmo diante do resultado do trabalho do qual participou, o geólogo não aceita o papel de herói solitário. “Ninguém descobre mina sozinho, eu sempre digo isso.” Ele também divide o mérito com o acaso: “Foi muito trabalho, mas um pouco de sorte também teve. Nós fomos procurar no lugar certo, com as ferramentas certas, e o acaso nos ajudou a achar aquilo.”

Durante um encontro com empregados e empregadas, Breno comentou as mudanças que encontrou: “A evolução aqui é muito grande. Não reconheço grande parte do que vejo.” Ele também deixou uma mensagem às novas gerações de profissionais da mineração:

"Continuem sem medo de inovar e busquem sempre se atualizar para permanecer competitivos."

Uma frase de criança reabriu o caminho

A volta a Carajás começou longe dali, em uma sala de aula. Ao ver uma foto de Breno apresentada pela professora, uma de suas netas contou à turma que aquele homem era seu avô. “Se não fosse ela ter falado ‘é o meu avô’, eu não estaria aqui agora”, disse ele.