
Em 31 de julho de 1967, um helicóptero pousou numa clareira no meio da floresta, no sudeste do Pará, apenas para reabastecer. A bordo estava Breno Augusto dos Santos, um geólogo de 27 anos. Enquanto o piloto cuidava do combustível, ele desceu, observou as rochas e pegou o martelo.
A expedição percorria a Amazônia em busca de manganês. Mas, quando o martelo quebrou a pedra, levantou-se uma poeira avermelhada. “Percebi que era ferro. Então pensei: ‘Uau, isso é tudo ferro?!’”, relembra Breno.

Era mesmo. Aquele pouso inesperado ajudou a revelar Carajás, que se tornaria a maior e mais rica província mineral conhecida no mundo. O minério de ferro de alto teor encontrado ali mudaria a posição do Brasil na mineração mundial. Hoje, a região é considerada a maior produtora mundial de minério de ferro de alta qualidade.

Foi esse cenário que Breno reencontrou no final do mês de setembro. Aos 86 anos e ao lado da família, ele visitou o S11D, em Canaã dos Carajás (PA), quando o complexo da Vale completa dez anos de operação. Diante do que viu, resumiu:

Carajás? Minha vida. Só isso.”
Breno dos Santos
O geólogo passou pela mina, pelo mirante da usina, pelo transportador de correia de longa distância e pelo Centro de Operações Integradas. O S11D faz o beneficiamento à umidade natural, sem usar água no processo e sem barragem de rejeitos. Também adota o sistema truckless, em que correias transportadoras substituem boa parte dos caminhões.
Mesmo diante do resultado do trabalho do qual participou, o geólogo não aceita o papel de herói solitário. “Ninguém descobre mina sozinho, eu sempre digo isso.” Ele também divide o mérito com o acaso: “Foi muito trabalho, mas um pouco de sorte também teve. Nós fomos procurar no lugar certo, com as ferramentas certas, e o acaso nos ajudou a achar aquilo.”
Durante um encontro com empregados e empregadas, Breno comentou as mudanças que encontrou: “A evolução aqui é muito grande. Não reconheço grande parte do que vejo.” Ele também deixou uma mensagem às novas gerações de profissionais da mineração:
"Continuem sem medo de inovar e busquem sempre se atualizar para permanecer competitivos."
Uma frase de criança reabriu o caminho
A volta a Carajás começou longe dali, em uma sala de aula. Ao ver uma foto de Breno apresentada pela professora, uma de suas netas contou à turma que aquele homem era seu avô. “Se não fosse ela ter falado ‘é o meu avô’, eu não estaria aqui agora”, disse ele.


