
A reta final da eleição presidencial ganha contornos de uma grande disputa entre forças regionais. De um lado, a mobilização da direita no Centro-Oeste e no Norte, acompanhada de sinais favoráveis no Sudeste e no Sul. Do outro, a resistência eleitoral de Lula, especialmente no Nordeste, onde o presidente mantém vantagem expressiva nas pesquisas.
A multidão que tomou a região da Ponta Negra, em Manaus, na segunda-feira (19), durante ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mostrou a capacidade de mobilização da direita na região Norte. A organização estimou 150 mil participantes, número que não foi confirmado por contagem independente. Ainda assim, as imagens do evento impressionam e reforçam o peso político da mobilização.
O mapa eleitoral pode fazer a diferença
Levantamento BTG Pactual/Nexus divulgado em 19 de outubro apontou Flávio à frente no Sul, Sudeste e no agrupamento Norte/Centro-Oeste. No Nordeste, entretanto, Lula aparecia com 66,2% das intenções de voto, contra 27,9% do adversário. Os dados mostram o tamanho do desafio para quem pretende conquistar a Presidência.
No Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul representam uma frente importante para a direita. A região reúne um eleitorado historicamente receptivo a pautas conservadoras, mas transformar essa afinidade em uma votação ainda maior exige mobilização até o último dia.
O Norte também entra no jogo. A demonstração de força em Manaus, somada à campanha nos demais estados, pode contribuir para ampliar a vantagem de Flávio nessa parte do país.
O peso do Sudeste e o desafio do Nordeste
Com o maior contingente eleitoral do Brasil, o Sudeste tem capacidade de influenciar decisivamente o resultado nacional. Mesmo uma vantagem regional pode não ser suficiente, porém, se houver forte concentração de votos no campo adversário em outras partes do país.
É justamente aí que o Nordeste assume papel estratégico. Para Flávio Bolsonaro, avançar nessa região pode significar a diferença entre uma vitória apertada e uma disputa ainda mais difícil. Para Lula, preservar sua vantagem nordestina e reduzir perdas nas demais regiões é fundamental.
A pergunta que movimenta os bastidores políticos é direta: a união eleitoral da direita no Centro-Oeste e no Norte, somada ao desempenho no Sudeste e no Sul, será suficiente para superar a vantagem de Lula no Nordeste?
Domingo dará a resposta
A mobilização nas ruas, os discursos de campanha e as pesquisas ajudam a compreender o cenário, mas não substituem o voto. Os levantamentos divulgados nesta semana apontam uma disputa acirrada, com diferenças que variam entre os institutos e resultados sujeitos às respectivas margens de erro.
A direita aposta na força de sua mobilização e na ampliação do apoio regional. O campo governista trabalha para preservar seus redutos e conquistar eleitores indecisos.
No domingo, 25 de outubro, as urnas revelarão se o avanço de Flávio Bolsonaro terá força para redesenhar o mapa político nacional ou se Lula conseguirá sustentar sua base eleitoral.
A concentração foi marcada para as 18h, nas proximidades da Praça dos Cocos, com saída às 19h em direção ao Tropical Hotel Amazônia. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram apoiadores com bandeiras do Brasil, materiais de campanha e celulares acesos.


