
Na periferia da capital do agro, o PT aposta na memória dos preços dos alimentos para tentar conquistar votos. Mas será que a direita mato-grossense vai perder o rumo na reta final da disputa presidencial?
Cuiabá é uma cidade de contrastes. Nas ruas, Ferraris, Lamborghinis e Porsches dividem espaço com a realidade de milhares de famílias que precisam fazer contas para colocar comida na mesa. É nesse cenário que a disputa presidencial ganha as ruas.
Na tarde de ontem, quinta-feira, o deputado estadual Lúdio Cabral e seus apoiadores estiveram na avenida dos Trabalhadores, em frente ao supermercado Comper. Com bandeiras, adesivos e um carro de som, levaram aos motoristas e pedestres o recado da campanha petista: “Lula outra vez, pra comida ficar barata de vez!”
O argumento encontrou eco entre algumas pessoas que passavam pelo local. Segundo esses relatos, os preços de alimentos básicos para o cuiabano estiveram bem mais baixos em determinados períodos dos últimos anos, em comparação com a época do governo Bolsonaro.
Arroz, feijão, macarrão e óleo entraram no centro da conversa. Para quem vive com o orçamento apertado, a lembrança dos preços nas prateleiras pode pesar tanto quanto os discursos dos candidatos.

Segundo mais votado para deputado estadual, o médico Ludio Cabral acredita que o resultado das urnas semana que vem, vai surpreender grandes barões de Mato Grosso.
É justamente nessa memória que o PT tenta apostar: convencer o eleitor de que a experiência vivida dentro de casa vale mais do que qualquer propaganda eleitoral.
Mas Mato Grosso é um território politicamente desafiador para Lula. Terra do agronegócio, do boi gordo e de grandes produtores rurais, o estado também abriga uma população trabalhadora que sente diretamente os efeitos do custo de vida.
E há um contraste que não passa despercebido: na terra da fartura agropecuária, milhares de famílias continuam preocupadas com o preço da comida. O debate sobre o famoso “ossinho” ainda faz parte da memória política recente do estado.
A pergunta é se a lembrança do preço dos alimentos será suficiente para alterar o comportamento do eleitor mato-grossense na hora de votar.
A direita tem sua força no campo e no agronegócio. O PT procura ampliar seu espaço nas periferias, apostando no poder de compra das famílias. No meio dessa disputa, o eleitor faz suas próprias contas — e nem sempre segue a orientação dos líderes políticos.
Na reta final da campanha, fica a provocação: será que a direita do agro vai navegar sem leme pelo rio Cuiabá, rumo ao Pantanal, ou continuará firme na preferência de seu eleitorado?
Como diz o ditado popular, macaco velho não mete a mão em cumbuca. Na política, porém, até quem parece conhecer bem o caminho pode encontrar uma surpresa na urna.


