
A deputada federal Coronel Fernanda (PL) defendeu a importância da legislação específica sobre o feminicídio e afirmou ter enfrentado resistência de parlamentares ao relatar um projeto de aumento de pena para assédio moral e sexual em unidades militares. A parlamentar avaliou que a percepção de alguns políticos novatos sobre a violência de gênero decorre da falta de vivência com o problema e rechaçou aqueles que se declaram contra o termo “feminicídio”.
“Lá dentro do Congresso, nós somos iguais. Eu tenho esse entendimento. O feminicídio, ele existe mesmo. [...] Então, nós precisamos, sim, do [termo] feminicídio. Eu acho que falta ainda um pouco de vivência”, declarou ao Programa Tribuna, na última semana.
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Para ela, o aumento nos registros do crime não indica necessariamente uma alta isolada, mas sim uma maior visibilidade impulsionada pela internet, pela coragem das vítimas em denunciar e pela melhoria nos levantamentos estatísticos.
“A situação da violência contra a mulher não é de hoje e ela sempre existiu. A gente tem que achar um jeito de estancar isso. Eu acho que não aumentou agora. Agora nós temos a internet para informar isso a toda hora. Hoje as mulheres começaram a ter mais coragem de denunciar. Nós temos ferramentas que podem fazer esse levantamento para nós. A população aumentou. Então, assim, tem vários fatores que levaram a noticiar de forma mais elevada, não porque não está ocorrendo, é porque agora está sendo registrado. Então, nós precisamos, sim, do feminicídio”, pontuou.
A parlamentar também destacou que a vivência pessoal é determinante para compreender a gravidade das agressões e do assédio, afirmando que “a mulher, todas nós mulheres sofremos assédio” e que a experiência marca a vida inteira.
“Então, esses políticos mais novos ainda não têm essa vivência. Eles não têm essa realidade. Não sabem como é sofrer um assédio. [...] Os homens mais velhos não sabem o que é assédio porque eles nunca sofreram. No máximo, eles fizeram”, denunciou.
Ela relatou também episódios em que colegas tentaram intervir em seu relatório sobre o endurecimento de penas para militares, ouvindo questionamentos de deputados contrários ao rigor da medida.


