
A menos de três dias da eleição, a disputa por uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado ganhou um novo capítulo — e dois episódios ocorridos praticamente ao mesmo tempo chamam a atenção.
De um lado, a candidata Janaína Riva (MDB) afirmou ter levado à Polícia Federal uma denúncia sobre uma suposta oferta de R$ 7 mil para que mulheres gravassem vídeos com ataques contra sua candidatura. Segundo ela, foram entregues aos investigadores prints, áudios e gravações que estariam relacionados às abordagens.
Janaína, entretanto, evitou apontar responsáveis e disse que caberá à Polícia Federal apurar a origem das supostas ofertas.
“Eu não quero cometer nenhum tipo de ilação. Então a Polícia precisa investigar e trazer até vocês”, afirmou.
No mesmo ambiente de acirramento eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso determinou, também nesta quarta-feira (30), que a candidata a deputada estadual Flaviane Ramalho (Novo) interrompesse o impulsionamento pago de uma publicação feita ao lado do candidato a deputado federal Haroldo, também do Novo.
Segundo a decisão divulgada pelo FolhaMax, o conteúdo fazia uma série de associações e imputações contra Janaína, utilizando a imagem da onça — símbolo adotado pela candidata — para atribuir características negativas à parlamentar e questionar sua busca por uma vaga no Senado. O conteúdo teria recebido entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil em impulsionamento, alcançando público estimado em mais de 1 milhão de pessoas.
O magistrado responsável pelo caso considerou que as críticas eram duras e ácidas, mas, em análise preliminar, não determinou a retirada do vídeo. Por outro lado, determinou a suspensão do impulsionamento e proibiu novos impulsionamentos do mesmo conteúdo, com previsão de multas em caso de descumprimento.
Uma eleição que chegou ao limite
Os dois episódios colocam novamente em discussão o ambiente da campanha eleitoral em Mato Grosso justamente na reta decisiva.
Enquanto Janaína afirma que está recorrendo às instituições para investigar o que considera uma tentativa organizada de atingir sua imagem, a Justiça Eleitoral já estabeleceu limites para a utilização de publicidade patrocinada em conteúdos de ataque.
A própria candidata declarou que vem sendo alvo de ataques de diferentes lados e afirmou possuir outras denúncias encaminhadas à Polícia Federal. Até o momento, porém, não há conclusão pública das investigações que confirme as supostas contratações ou identifique eventuais responsáveis.
E talvez seja justamente esse o ponto que merece atenção do eleitor.
A menos de três dias da abertura das urnas, a disputa deixa de ser apenas uma batalha de propostas e passa também pelo terreno da propaganda negativa, das redes sociais, dos impulsionamentos pagos e das denúncias encaminhadas às autoridades.
Para uma candidata que disputa pela primeira vez uma cadeira no Senado, em uma eleição de enorme repercussão estadual, a pergunta agora não é apenas quem está atacando quem.
É também: até onde pode ir a disputa pelo voto quando faltam poucos dias para Mato Grosso decidir quem ocupará suas duas cadeiras no Senado?
A resposta, neste momento, passa pelas urnas — mas também pela Justiça Eleitoral e pelas investigações que estão sendo realizadas.


