
A eleição para o Governo de Mato Grosso chega à reta final com uma pergunta inevitável: depois de uma campanha marcada por propostas, críticas, números e promessas, o que cada candidato efetivamente conseguiu colocar diante do eleitor?
O debate realizado pela TV Centro América, na noite de terça-feira (29), colocou frente a frente Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko, justamente no momento em que a disputa entra em sua fase decisiva.
Pivetta, representante da atual administração estadual, foi o principal alvo dos questionamentos dos adversários. Saúde, habitação, segurança, servidores, infraestrutura e incentivos fiscais estiveram entre os temas que provocaram os confrontos.
Wellington, por sua vez, utilizou o espaço para cobrar explicações sobre decisões e prioridades do atual governo. Um dos pontos que ganhou repercussão foi a discussão sobre incentivos fiscais concedidos à Natural Pork, empresa ligada ao grupo político e empresarial de Pivetta.
Segundo dados divulgados durante a campanha com base em informações da Sefaz-MT, a empresa teria acumulado cerca de R$ 491,97 milhões em benefícios fiscais entre 2019 e 2025.
O número, entretanto, precisa ser tratado tecnicamente: trata-se de renúncia ou benefício fiscal, e não de dinheiro transferido diretamente pelo Estado para a empresa.
A discussão também provocou reação do setor produtivo. A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) defende os incentivos como instrumento de compensação diante dos custos de produção e logística do Estado.
E justamente aí ficou uma das perguntas que podem continuar na cabeça do eleitor: qual é o retorno exigido pelo Estado quando concede centenas de milhões de reais em benefícios fiscais?
Empregos? Investimentos? Industrialização? Arrecadação futura? Desenvolvimento regional?
E o Oeste?
Outro tema que chama atenção pela ausência no debate é a Rota Bioceânica, especialmente a MT-199, ligação de Vila Bela da Santíssima Trindade com a Bolívia e, posteriormente, com os portos do Pacífico.
Para uma região que espera transformar uma estrada de terra em corredor internacional de comércio, a qualidade e a durabilidade da pavimentação são questões que vão muito além de uma obra rodoviária.
O Oeste também acompanha a execução dos trechos em TSD — tratamento superficial duplo — e os custos dos contratos da MT-199, que vêm sendo objeto de questionamentos e acompanhamento jornalístico.
Mas a discussão específica sobre MT-199, TSD, custos dos contratos e Rota Bioceânica não ocupou o espaço que o tema poderia sugerir diante da importância estratégica da obra.
E isso deixa outra pergunta para o próximo governo:
Mato Grosso pretende apenas abrir uma estrada até a Bolívia ou construir uma verdadeira rota internacional capaz de suportar, por décadas, o fluxo de soja, milho, algodão, proteína e outros produtos destinados ao Pacífico?
A prova está chegando
Com o fim da campanha, os discursos começam a perder espaço e as urnas passam a falar.
O eleitor terá diante de si candidatos com trajetórias, propostas e modelos diferentes de administração. Caberá a ele avaliar as respostas apresentadas durante a campanha — e também aquilo que ficou sem resposta.
No domingo, não haverá mais debate, réplica ou tréplica.
Será a hora da prova final.


