
A corrida pelo Governo de Mato Grosso entra na reta decisiva cercada de números, alianças e uma pergunta que interessa diretamente ao eleitor: quem vai comandar um Estado cuja previsão orçamentária para 2027 supera R$ 42 bilhões?
A nova pesquisa MT Dados, divulgada nesta segunda-feira (21), mostra Otaviano Pivetta com 34% das intenções de voto, Wellington Fagundes com 26% e Natasha Slhessarenko com 14%. O levantamento ouviu 3.080 eleitores entre os dias 11 e 17 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Segundo a pesquisa MT Dados, Otaviano Pivetta lidera a pesquisa de intenção de votos daqui a 12 dias da eleição de primeiro turno.
Na fotografia apresentada pela pesquisa, Pivetta aparece na liderança e Wellington em segundo. Mas a disputa ainda está aberta: 17% dos entrevistados declararam estar indecisos na pesquisa estimulada, enquanto, na espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 50,4% não souberam ou não quiseram indicar um nome.
Ou seja: há muita eleição pela frente.
A disputa pelos R$ 42 bilhões
O tamanho do prêmio político ajuda a explicar a temperatura da disputa.

Senador Welington Fagundes liderou as pesquisas no início da campanha, mas vêm despencando nos últimos dias.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 prevê receita de aproximadamente R$ 42,135 bilhões para Mato Grosso. O valor representa a previsão inicial para o próximo exercício e ainda será detalhado na Lei Orçamentária Anual.
E o orçamento pode sofrer alterações durante sua execução, inclusive por mecanismos legais como créditos adicionais e eventual excesso de arrecadação.
Por isso, os R$ 42 bilhões dão uma dimensão do tamanho da máquina pública que estará sob responsabilidade do próximo governador.
É muito dinheiro. E, consequentemente, muita responsabilidade.
Continuidade ou mudança?
Pivetta representa a continuidade do grupo político que administra Mato Grosso há anos e que teve Mauro Mendes como principal liderança no período anterior.
A pergunta que estará no centro do debate eleitoral é simples:
O eleitor considera que o modelo atual deve continuar por mais quatro anos ou entende que chegou a hora de mudar?
Não há pesquisa que responda isso antecipadamente. A resposta será dada pelas urnas.
Mas existem temas concretos que deverão pesar na avaliação dos eleitores.
Os 7 mil quilômetros de asfalto
Entre eles está a infraestrutura.
O governo Mauro Mendes divulgou a marca de milhares de quilômetros de pavimentação e recuperação de rodovias durante sua gestão. A discussão eleitoral, entretanto, pode ir além do número anunciado.
O eleitor pode querer saber:
Quantos quilômetros foram efetivamente concluídos? Onde estão? Quanto custaram? Qual tecnologia foi utilizada? Qual é a situação atual dessas rodovias?
TSD e CBUQ, por exemplo, são soluções distintas. Por isso, simplesmente somar quilômetros sem informar o tipo de pavimento, o custo e as condições de execução pode não ser suficiente para avaliar o resultado de uma política pública.
A cobrança, portanto, pode ser objetiva:
Quanto foi prometido, quanto foi executado e o que efetivamente chegou à população?
Natasha cresce e mantém a terceira via no jogo

A médica pediatra Natasha Slhessarenko, filha da ex-senadora Serys Slhessarenko poderá ser a grande surpresa do primeiro turno. Quem vai ficar fora?
Enquanto Pivetta e Wellington aparecem à frente na pesquisa MT Dados, Natasha Slhessarenko chama atenção pelo crescimento na série apresentada pelo instituto.
A candidata passou de 7% em maio para 14% agora.
Isso não permite afirmar que ela chegará ao segundo turno. Mas mostra que existe espaço para movimentação no eleitorado e que uma parcela importante dos votos ainda pode mudar de direção até a eleição.
Além disso, a pesquisa espontânea revela um contingente expressivo de eleitores que ainda não escolheu candidato.
É justamente aí que pode estar o combustível para as próximas semanas de campanha.
Os R$ 42 bilhões chegam aonde precisam chegar?
Mato Grosso é um dos principais motores do agronegócio brasileiro e possui uma economia com enorme capacidade de geração de riqueza.
Mas existe outra pergunta que precisa fazer parte do debate eleitoral:
O crescimento da arrecadação está chegando na mesma proporção à saúde, à educação, à infraestrutura e aos serviços públicos utilizados diariamente pela população?
É uma questão que interessa tanto ao produtor rural quanto ao trabalhador que enfrenta a fila do SUS; tanto ao empresário quanto ao cidadão que precisa de uma estrada em boas condições para chegar ao trabalho.
A chave do galinheiro
No fim das contas, a eleição de 2026 não será apenas uma disputa entre nomes.

Nova Secretaria de Fazenda foi totalmente reconstruída pôr Mauro Mendes. Mas quem vai cuidar do Galinheiro de Ovos de Ouro?
Será também uma disputa entre projetos para administrar um Estado cuja LDO prevê mais de R$ 42 bilhões em receitas para 2027.
E Mato Grosso tem capacidade de arrecadação que pode fazer esse número crescer durante a execução orçamentária, dentro das regras fiscais e orçamentárias.
Por isso, a metáfora cabe:
Quem receberá a chave do galinheiro dos ovos de ouro de Mato Grosso?
Pivetta, Wellington ou Natasha?
A pesquisa mostra o retrato de hoje.
A fotografia, porém, ainda não é o filme inteiro.
E, até a abertura das urnas, muita coisa ainda pode acontecer.


