
Do novo Pronto-Socorro de Cuiabá ao Hospital Central, duas grandes obras de saúde colocam modelos de gestão frente a frente e levantam uma pergunta incômoda: quem fez mais por quem depende do SUS?
Há obras que ultrapassam governos.
São construídas com dinheiro público, atravessam administrações e, depois de prontas, passam a fazer parte da vida de milhares de pessoas.
Em Mato Grosso, dois grandes hospitais contam uma história assim.
De um lado, o Hospital Municipal de Cuiabá, o novo Pronto-Socorro da Capital. Do outro, o Hospital Central, uma obra que permaneceu inacabada durante décadas e acabou sendo retomada pelo governo Mauro Mendes.
Duas obras gigantescas.
Dois momentos da política mato-grossense.
E uma pergunta que merece ser feita ao eleitor:
quem realmente fez mais pela população que depende da saúde pública?
Uma obra que atravessou governos
A história do novo Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá começou durante a administração de Mauro Mendes na Prefeitura.
Em julho de 2015, Mauro e o então governador Pedro Taques participaram do lançamento da obra no Ribeirão do Lipa. O projeto previa uma grande unidade hospitalar, com investimento estimado em R$ 79,6 milhões.
Mauro deixou a Prefeitura no final de 2016.
Pedro Taques continuou no Governo do Estado.
A obra avançou.
O antigo Pronto-Socorro já não suportava a demanda de uma Capital que recebia pacientes de praticamente todas as regiões de Mato Grosso e também de estados vizinhos.
No lugar da antiga morraria do Ribeirão do Lipa começou a surgir uma enorme estrutura de concreto, aço e ferragens.
A construção avançou durante o governo Taques e entrou na reta final na administração de Emanuel Pinheiro.
Em dezembro de 2018, a estrutura física foi entregue e, em 2019, o hospital começou a funcionar por etapas.
Portanto, a história precisa ser contada sem apagar ninguém:

Mauro participou do início, Taques deu continuidade e Emanuel conduziu a etapa final e colocou a unidade em funcionamento.
Mas existe uma figura política que reivindica, com razão, ter enfrentado o desafio de manter a obra avançando durante seu governo:
Pedro Taques.
Do outro lado da história, o Hospital Central

Agora chegamos a outra obra.
O Hospital Central de Cuiabá havia sido iniciado décadas atrás e se transformou durante anos em símbolo do abandono de uma obra pública.
Mauro Mendes retomou o projeto quando chegou ao Governo de Mato Grosso.
Foram anos de obras até que aquela velha estrutura começasse finalmente a ganhar forma de hospital.
Em 2025, o governo anunciou a conclusão praticamente integral da construção, com investimento de R$ 221,8 milhões na obra e previsão de mais R$ 240 milhões em equipamentos.
Mas o desfecho trouxe uma novidade que provocou debate:
a gestão do hospital seria entregue ao Hospital Israelita Albert Einstein.
O contrato foi firmado pelo Governo de Mato Grosso, com a promessa de atendimento integral pelo SUS.
E aqui começa uma discussão que interessa diretamente ao cidadão.
Hospital público com gestão do Einstein
O governo defende que entregar a gestão ao Einstein significa levar ao SUS um modelo de excelência hospitalar.
A proposta é ambiciosa.
São centenas de leitos, centro cirúrgico e atendimento de alta complexidade.
Mas o cidadão tem todo o direito de perguntar:
Quanto custará essa gestão aos cofres públicos?
Quais serão as metas?
Quem fiscalizará o contrato?
Quanto custará cada atendimento?
O cidadão pobre terá realmente acesso à mesma qualidade prometida?
Essas perguntas não significam questionar a competência médica do Einstein.
Significam questionar o modelo escolhido pelo poder público.
Taques x Mauro: a pergunta que fica

É justamente aqui que a política entra na história.
Pedro Taques enfrentou a corrida para transformar um grande canteiro de obras em hospital público.
Mauro Mendes retomou uma obra que havia se transformado em símbolo de décadas de paralisação e decidiu entregá-la a uma das instituições hospitalares mais conhecidas do país.
Nenhum dos dois pode apagar o papel do outro.
Mas o eleitor pode comparar.
Pode olhar para o tamanho das obras.
Pode olhar para os investimentos.
Pode observar quem começou, quem continuou, quem terminou e quem administra.
E, principalmente, pode perguntar:
Qual modelo entrega mais para quem não tem plano de saúde e depende exclusivamente do SUS?
Essa é uma pergunta que interessa não apenas a Mato Grosso.
O novo Pronto-Socorro de Cuiabá tornou-se referência para pacientes de diversas regiões, enquanto a discussão sobre o Hospital Central envolve o futuro da saúde pública de alta complexidade no Estado.
No final, não será a propaganda que dará a resposta.
Será o atendimento na porta do hospital.
Porque para quem está doente, pobre ou esperando na fila do SUS, pouco importa quem ganhou a disputa política.
O que importa é quem conseguiu entregar o socorro.


