
Mauro Mendes deixou o Governo de Mato Grosso anunciando um número de respeito: 7 mil quilômetros de asfalto executados durante sua gestão. Segundo o próprio ex-governador, um recorde sem precedentes no Estado.
O número impressiona. Mas, no meio desse espetáculo todo, existe uma pergunta que continua sem uma resposta suficientemente clara para o cidadão: afinal, que tipo de pavimento compõe esses 7 mil quilômetros?
É aqui que entra o nosso “Mister M” do asfalto.
O famoso mágico da televisão ficou conhecido por revelar os segredos por trás dos grandes truques. Em Mato Grosso, a pergunta é parecida: onde está a mágica dos 7 mil quilômetros?
Quantos quilômetros receberam TSD — tratamento superficial duplo? Quantos receberam CBUQ — concreto betuminoso usinado a quente? Quantos representam implantação de pavimento novo? Quantos são restauração ou recuperação? E quanto foi realizado em rodovias estaduais, estradas vicinais ou por meio de parcerias?
Não se trata de diminuir a quantidade de quilômetros anunciada. Pelo contrário: se são realmente 7 mil quilômetros, que se abra a conta e se mostre ao contribuinte o que foi feito.
A MT-170 acendeu o sinal amarelo
A discussão ganhou ainda mais importância diante dos problemas registrados em trechos da MT-170, onde órgãos de controle e o próprio Estado apontaram questões relacionadas à execução do pavimento.
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Presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo checa pessoalmente acostamento da MT 170 depois que a rodovia esfarelou no governo Mauro Mendes.
O episódio mostra que não basta contar quilômetros. É necessário saber qual solução de engenharia foi utilizada, qual era a especificação do projeto, qual a espessura executada, quais materiais foram empregados e, principalmente, como o pavimento está se comportando diante do tráfego pesado.

Conselheiro Sérgio Ricardo foi obrigado a intervir pessoalmente na MT 170 exigindo qualidade e responsabilidade do governo Mauro Mendes.
Afinal, para quem transporta soja, milho, algodão, carne e outros produtos pelas rodovias de Mato Grosso, não interessa apenas saber quantos quilômetros foram inaugurados.
Interessa saber quanto tempo aquele asfalto vai durar.
E no meio dessa história aparece Pedro Taques
Mauro Mendes também deixou sua marca política pelas críticas aos governos anteriores, especialmente ao ex-governador Pedro Taques, seu antecessor no Palácio Paiaguás.
Taques, cuiabano de “tchapa e cruz”, foi governador entre 2015 e 2019 e frequentemente apareceu no discurso político de Mauro como referência para comparações e críticas.
Agora, com os dois fora do comando do Estado, a disputa pelo legado continua.

Heliponto construído na rotatória Cuiabá/chapada/Guia foi uma das obras do governo Pedro Taques em Cuiabá.
Mauro apresenta os 7 mil quilômetros como uma das grandes marcas de sua administração. E o cidadão, que paga a conta, pode fazer uma pergunta simples:
7 mil quilômetros de quê?
TSD? CBUQ? Recuperação? Implantação nova? Qual a espessura? Qual o custo? Qual a extensão efetivamente entregue em cada modalidade?
Não é uma pergunta de oposição.
É uma pergunta de contribuinte.


