
A eleição para o Governo de Mato Grosso ainda está longe de estar decidida. Enquanto Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta aparecem à frente nas pesquisas, uma terceira candidatura começa a chamar atenção pelo potencial de crescimento: a da médica Natasha.
Ainda distante dos dois principais nomes nas pesquisas, Natasha pode estar encontrando justamente onde os números não conseguem medir com precisão seu maior espaço de crescimento: na cozinha, na fila do posto de saúde, dentro das casas e na conversa diária das famílias mato-grossenses.
A saúde pública pode ser o caminho para essa aproximação.
Para uma parcela importante da população, especialmente entre as famílias de menor renda, o debate eleitoral não começa em Brasília, no Palácio Paiaguás ou nas redes sociais. Começa quando falta médico, quando o exame demora, quando uma consulta com especialista não acontece ou quando uma família precisa percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento.
E é justamente nesse terreno que Natasha pode construir uma identidade eleitoral diferente.
Médica, mulher e mãe, ela reúne atributos que podem facilitar uma conexão emocional com um eleitorado que muitas vezes é responsável por cuidar dos filhos, dos pais e dos demais familiares quando a doença aparece.
Enquanto Wellington carrega décadas de vida política e atuação em Brasília, e Pivetta chega à disputa com uma longa trajetória administrativa em Mato Grosso, Natasha pode apresentar-se como uma alternativa aos dois grupos que dominam o atual cenário.
Esse espaço pode se tornar ainda maior caso cresça no eleitorado o sentimento de que Mato Grosso precisa de uma mudança mais profunda.
A incógnita está nas mulheres
Um dos pontos que merecem atenção nas próximas pesquisas será o comportamento do eleitorado feminino.
Não é possível afirmar antecipadamente que as mulheres votarão em peso em Natasha. Mas sua condição de médica, mãe e candidata mulher pode criar uma identificação particularmente forte se ela conseguir transformar a pauta da saúde pública em uma bandeira de campanha.
E esse pode ser o seu grande desafio: deixar de ser apenas uma candidata conhecida por uma parcela do eleitorado e tornar-se a representante de um sentimento de mudança.
As pesquisas mostram que ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não escolheu definitivamente nenhum dos principais candidatos. É justamente nesse eleitorado que uma candidatura com capacidade de crescimento pode encontrar combustível.
A zebra pode estar correndo por fora
Natasha não é, neste momento, a favorita da eleição. Wellington aparece numericamente à frente em alguns levantamentos, enquanto Pivetta também demonstra força competitiva.
Mas eleição não se ganha em setembro.
Se Natasha conseguir crescer de forma consistente, principalmente entre mulheres, eleitores de menor renda e aqueles que rejeitam os dois principais nomes, poderá transformar uma candidatura aparentemente secundária em uma disputa de verdade pelo segundo turno.
E aí o cenário muda completamente.
Porque uma eventual disputa envolvendo Natasha contra Wellington ou Pivetta poderia reunir não apenas os votos da candidata, mas também parte do chamado “voto de mudança”.
Por isso, talvez seja cedo para chamá-la de favorita.
Mas também pode ser cedo demais para ignorá-la.


