
Documentos com o sigilo retirado e divulgados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (10), expõem uma relação de suposta favorecimento e troca de informações confidenciais entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e servidores de alta hierarquia do Banco Central do Brasil (BC). As investigações da Polícia Federal apontam que dados reservados da fiscalização teriam sido repassados em troca de benefícios que incluem intermediação na compra de um imóvel de quase R$ 5 milhões e viagens custeadas pelo banqueiro.
📲 Grupo secreto e informações antecipadas
No centro das revelações está um grupo de mensagens de WhatsApp criado em outubro de 2025 — semanas antes da liquidação do Banco Master — com o nome de "Master". Faziam parte do canal Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto da mesma unidade, ao lado de Vorcaro.
Por meio do grupo, os servidores teriam repassado minutas de documentos, avisado sobre ações da fiscalização e antecipado alertas que deveriam permanecer sob sigilo institucional. Em trecho das mensagens, o banqueiro anota: "De pessoas de dentro do BCB que são meus amigos e ficaram preocupados", em referência a avisos sobre movimentações financeiras sob investigação. Paulo Sérgio teria, inclusive, comunicado a Vorcaro que uma transação atípica de centenas de milhões de reais havia sido detectada pelos sistemas de monitoramento — informação que, em tese, é restrita ao trabalho de supervisão.
🏡 Negócio de imóvel avaliado em R$ 4,8 milhões
Além do fluxo de dados internos do BC, os registros revelam a participação direta de Vorcaro como intermediário na compra de uma propriedade rural em Minas Gerais, orçada em R$ 4,8 milhões. O negócio envolvia o próprio servidor Paulo Sérgio e seu irmão, Luis Roberto Neves de Souza.
Conforme documentos e mensagens, o banqueiro recebia a minuta do contrato e encaminhava entre as partes, funcionando como elo e evitando contato direto entre o vendedor e o servidor público. O valor seria pago em duas parcelas: uma de R$ 1,8 milhão e outra de R$ 3 milhões. A operação levanta suspeita de que o imóvel seria, na prática, uma forma de contraprestação pelo acesso a informações privilegiadas.
✈️ Viagens e despesas custeadas
As investigações também apontam que Vorcaro custeou ou ajudou a arcar com despesas pessoais da família do servidor. Em fevereiro de 2024, por exemplo, Paulo Sérgio enviou a programação de uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, ao banqueiro — que providenciou guia e suporte logístico. Outros destinos, como Paris, também aparecem nos registros como viagens em que despesas teriam sido arcadas por Vorcaro, configurando, segundo a PF, possível favorecimento em troca de acesso e influência.
⚖️ Liquidação do banco e investigação
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 17 de novembro de 2025, em decisão que apontou graves irregularidades na gestão e nas operações. Pouco depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O quadro montado pela Polícia Federal indica um esquema em que servidores do BC atuariam como "conselheiros e informantes" do banqueiro, em prejuízo da imparcialidade e do sigilo inerente às funções públicas. Em seus depoimentos à PF, Daniel Vorcaro negou obter vantagens indevidas; os servidores também apresentaram versões próprias sobre os fatos.
⚠️ As investigações seguem em andamento. Os fatos relatados baseiam-se em relatórios da Polícia Federal e documentos disponibilizados pelo STF. Cabe à Justiça avaliar as provas e estabelecer a responsabilidade de cada envolvido.
Fontes: Relatórios da Polícia Federal e documentos divulgados pelo ministro André Mendonça (STF), com cobertura de CNN Brasil, Metrópoles e Rádio Itatiaia.


