Desafio de gigante: Palmarito encara 42 km de aterro para garantir passagem na fronteira antes das chuvas

Trecho de aterro entre Palmarito e ponta do aterro concluído pela Associação. Show de obra.

O município de Vila Bela da Santíssima Trindade, comandado pelo médico e prefeito Dr. André Bringsken, vive um momento histórico e se transformou em um grande canteiro logístico de obras rodoviárias. É, sem dúvida, um dos maiores movimentos de infraestrutura já registrados desde a criação do município.

No centro dessa transformação está a MT-199, com cerca de 120 quilômetros de pavimentação em execução, ligando Vila Bela à fronteira com a Bolívia e abrindo caminho para a futura consolidação da região como parte da Rota Bioceânica.


Associação trabalha no levantamento e alargamento de aterro em trecho de pântano amazônico difícil de ser vencido no período das chuvas. Agora, será.

Mas enquanto as máquinas avançam na construção do asfalto, outro desafio gigantesco acontece no trecho ainda de chão batido, no sentido Palmarito–Ponta do Aterro.


A Esq. Pecuarista Roberto Macedo e o encarregado Neomar da Silva de olho na premiação do Papai Noel.

Ali, a responsabilidade está nas mãos do advogado e produtor rural Roberto Jonas de Macedo, presidente da Associação dos Produtores Rurais do Grande Palmarito, que lançou um grande desafio para sua equipe: recuperar, levantar e ampliar 42 quilômetros de aterro em apenas 60 dias, antes da chegada do período chuvoso.

É uma verdadeira corrida contra o relógio.

Um antigo problema que agora recebe tratamento de verdade

O trecho entre Palmarito e Ponta do Aterro é resultado de um antigo sonho dos produtores rurais da fronteira que se transformou em realidade ao longo da última década. O problema, segundo Roberto Macedo, é que a estrada nunca recebeu uma manutenção à altura da importância econômica e social da região.


Escavadeira chinesa trabalha no trecho da Fazenda Bela Vista.

Durante anos, predominavam os chamados “paliativos”: buracos eram tapados, pontos críticos recebiam intervenções emergenciais e, pouco tempo depois, os problemas voltavam.

Agora, a estratégia é diferente.


Associação promete prêmio inédito para os colaboradores caso atinjam meta de concluir 42 kilometros em 2 meses.

A Associação dos Produtores Rurais do Grande Palmarito decidiu atacar o problema de forma estrutural, recuperando pontos críticos, elevando o aterro, ampliando a plataforma da estrada e, onde for necessário, reconstruindo trechos inteiros.

A meta é garantir trafegabilidade durante a seca e, principalmente, enfrentar aquele que sempre foi o maior pesadelo dos moradores da região: o período das chuvas.


Corte na lateral da estrada mostra precisão do operador da escavadeira. Trabalho profissional.

“Imagine você ficar atolado e ter que passar uma noite numa região dessas até chegar um socorro”, questiona o pecuarista.

Para quem vive nas fazendas da fronteira, o problema não é apenas desconforto. É segurança, saúde, transporte, abastecimento e acesso à cidade.

“É muito difícil para quem vive nas fazendas, cuidando do segundo maior rebanho bovino de Mato Grosso, não ter o direito de ir e vir da cidade. Nós estamos aqui para trabalhar por dias melhores para esses grandes heróis que nos ajudam a vender nosso produto para a China e a Europa”, afirma Roberto Macedo, numa referência aos milhares de trabalhadores das propriedades rurais da região.

Luciano Barbosa, o “escudeiro” do trecho

Na operação, o time ganhou um importante aliado.

O irreverente e carismático pecuarista Luciano Barbosa, acostumado a voar de ultraleve entre Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e sua fazenda na região, transformou-se em um verdadeiro “escudeiro” da equipe.


Ônibus alojamento foi opção encontrada pela Associação para acabar com deslocamento entre a obra e a cidade.

Luciano cedeu espaço na Fazenda Bela Vista para estacionamento do ônibus-alojamento adquirido pela associação, além de oferecer estrutura para café da manhã, almoço e jantar aos integrantes da equipe.

São 11 trabalhadores alojados no local, com apoio logístico fundamental para que a operação avance.

“Somos muito gratos ao amigo Luciano, porque sem ele no trecho, do nosso lado, seria tudo muito difícil. Quando partirmos daqui, queremos deixar tudo impecável e nunca mais ouvir falar que alguém ficou atolado no brejo por falta de manutenção”, garante Roberto Macedo.

Neomar quer vencer o desafio e atingir a meta

Para quem passa boa parte do dia debaixo de um sol escaldante, enfrentando temperaturas próximas dos 40 graus, vento, poeira e as dificuldades de reconstruir um aterro ao longo de 42 quilômetros, a missão parece gigantesca.

Mas, para o encarregado geral de obras da associação, Neomar Souza da Silva, o desafio está longe de ser impossível.

Com uma equipe disciplinada e focada, Neomar trabalha para cumprir a meta dentro do prazo estabelecido.

Ao lado dele estão Osvaldo, Ronaldo, Marcos Antônio e Jesus Adriano, além de um diarista que atua na escavadeira e dos operadores dos seis caminhões alugados.

Ao todo, são 12 integrantes diretamente envolvidos na missão.

O objetivo é avançar rapidamente pelo trecho entre a Fazenda Quero Vê e a Fazenda Bela Vista, enfrentando o cerrado e os pontos críticos do antigo aterro.

É desafio para gigante, com o relógio correndo, a chuva se aproximando e uma premiação à espera do grupo para vencer a missão e atingir a meta.

Marcelo Oliveira, Moretto e Pivetta garantem apoio ao trabalho na estrada

Segundo Roberto Macedo, o avanço das melhorias na malha viária não pavimentada da MT-199 também conta com a participação decisiva do secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, do deputado estadual Valmir Moretto e do governador Otaviano Pivetta, que, segundo ele, abraçaram a causa pela “vida nova” que começa a chegar à fronteira.


Ao lado do ex governador Blairo Maggi o então prefeito Otaviano Pivetta inaugura escola em Lucas do Rio Verde e, faz uma revolução na educação que poderá acontecer até 2030 em Mato Grosso, caso vença a eleição.

Roberto lembra que, durante décadas, os produtores enfrentaram uma estrada marcada por buracos, costelas de vaca e pontes em condições perigosas.


Na próxima semana associação começa a substituir as velhas pontes de madeira por gigantescos tubos armco. Problema de pontes, nunca mais.

“Antes, a estrada era só buraco e costela de ponta a ponta, com pontes perigosas e traiçoeiras. Agora, não. Tudo está mudando. Nossa estrada está ficando um verdadeiro tapete”, afirma.

Mas o próprio produtor faz um alerta: estrada boa também exige responsabilidade.


Esq. Deputado Valmir Moretto e secretário Marcelo de Oliveira durante visita a obra de asfalto da MT 199.

Segundo ele, alguns trechos já permitem velocidades elevadas e, justamente por isso, a associação estuda instalar placas indicativas de limite de velocidade e sinalização das entradas das pontes, numa tentativa de evitar acidentes e tragédias.

A preocupação é pertinente: estrada boa também exige direção responsável.

A fronteira está mudando


Dr André Bringsken é o grande maestro do novo tempo que Vila Bela vem passando.

A transformação da MT-199 acontece em um momento em que Vila Bela começa a deixar para trás o isolamento histórico que marcou gerações.

De um lado, avança o asfalto rumo à Bolívia e à futura Rota Bioceânica. Do outro, produtores rurais e trabalhadores se mobilizam para recuperar os 42 quilômetros de aterro que ainda separam comunidades e propriedades da plena trafegabilidade.

São duas frentes diferentes, mas com o mesmo objetivo: abrir caminho para o desenvolvimento da fronteira.

A velha realidade, marcada por promessas, lama, atoleiros e isolamento, começa a dar lugar a máquinas, aterros recuperados, pontes reconstruídas e asfalto.


Da Esq. Bruno, Roberto e Roberto Jr. Família unida em prol de Vila Bela.

E a previsão entre produtores e moradores da região é ousada: a fronteira do velho Oeste mato-grossense nunca mais será a mesma.

Com a MT-199 avançando e a integração com a Bolívia cada vez mais próxima, o Grande Palmarito começa a escrever uma nova página de sua história.

Promessas saindo. Asfalto entrando. E, onde o asfalto ainda não chegou, os produtores estão fazendo a sua parte para manter a fronteira aberta.

Imagens que contam essa história

Nossos agradecimentos a Roberto Jr., piloto, e Bruno Macedo, responsável pelas imagens de drone, filhos do pecuarista Roberto Macedo, pelas belíssimas imagens aéreas que ajudam a mostrar a dimensão dessa obra no coração da fronteira.