
Após a audiência de conciliação entre os rodoviários e as empresas terminar sem acordo, os trabalhadores decidiram manter a greve. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), uma nova audiência, que havia sido marcada para a próxima segunda-feira, dia 6, foi antecipada para esta quarta. A decisão foi tomada após uma assembleia da categoria, que rejeitou a suspensão da paralisação. Durante a mobilização, houve confusão entre os rodoviários, e passageiros chegaram a ser retirados de ônibus após coletivos serem depredados no Centro do Rio. Segundo o Rio Ônibus, 15 veículos foram vandalizados e rodoviários que continuaram trabalhando foram agredidos. Os rodoviários realizam uma manifestação na região central da cidade na tarde desta terça-feira.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, foi apresentada uma proposta pelo Tribunal e Ministério Público do Trabalho para que eles adotassem o estado de greve, que suspenderia a paralisação retornando ao trabalho nesta quarta-feira, sem desconto dos dias parados. A proposta foi rejeitada, já que a maioria defendia a continuidade da paralisação e ficou decidido a manutenção da greve.
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O Rio Ônibus ainda apresentou proposta de reajuste salarial de 4,39% e informou que não faria nova oferta, alegando dificuldades financeiras e redução dos subsídios ao sistema de transporte.
O sindicato cobra um reajuste dividido em duas parcelas, sendo uma de 8% agora e 8,3% em novembro, totalizando os 17% reivindicados pela categoria.
— O clima estava muito acirrado e os trabalhadores não aceitaram a proposta encaminhada pelo Tribunal. E na votação, eu coloquei em votação se suspenderíamos a paralisação ou se manteríamos a greve. A decisão da categoria por maioria foi a manutenção da greve por tempo indeterminado — diz Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários.
O TRT-1 explica que, neste momento, ainda não foram apreciadas as questões relativas ao eventual descumprimento da decisão liminar. A fase atual do processo é destinada à tentativa de conciliação entre as partes. Assim, eventual descumprimento da determinação, aplicação de multa, definição do valor da penalidade e identificação de eventual responsável somente serão analisados posteriormente, caso não haja acordo e o processo tenha prosseguimento em razão da continuidade da greve.
"Como consequência, grevistas mais exaltados criaram tumulto no Centro da cidade, vandalizando mais de 15 ônibus e agredindo rodoviários que estavam trabalhando. O Rio Ônibus repudia qualquer ato de violência e reforça que a população carioca não pode continuar sendo prejudicada. O setor mantém sua confiança na mediação da Justiça do Trabalho e faz um apelo para que motoristas e demais rodoviários retornem às garagens e ao trabalho imediatamente, de modo a restabelecer a operação dos ônibus o quanto antes", diz a nota.
Sobre os ônibus vandalizados, o sindicato informou, em nota, que a direção é "expressamente contrária a qualquer tipo de ações violentas e que não aceita nem compactua com esse tipo de comportamento".
1.400 ônibus nas ruas
Pela manhã, cariocas voltaram a enfrentar dificuldades para se deslocar nas primeiras horas desta terça-feira, segundo dia da greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro. O Centro de Operações de Resiliência (COR), da prefeitura, orienta a população para dar preferência ao deslocamento por metrô, trens e barcas, serviços que operam normalmente. O Rio Ônibus informou que há 1.400 ônibus circulando — o mínimo previsto era de 1.800, que corresponde a 50% da frota. Segundo o sindicato, esse número representa mais do que o dobro em relação ao mesmo horário desta segunda-feira. Durante a madrugada não houve novos registros de vandalismo.
Ainda conforme o Rio Ônibus, os consórcios reforçam o apelo para que todos os motoristas e rodoviários compareçam às garagens, cumprindo a decisão judicial que determina a operação de pelo menos 50% da frota.
Reivindicação
Os rodoviários reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, aumento no vale-alimentação e adoção da jornada de trabalho na escala 5x2.
No sábado, o TRT-1 reconheceu a legalidade da greve e negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal. A desembargadora Maria Helena Motta determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação e fixou multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos em caso de descumprimento da decisão.
Reforço nos trens e no metrô
A TrensRJ informou que preparou uma operação especial com reforço na oferta de viagens em todo o sistema nesta terça-feira, em função da greve. Segundo a concessionária, ao longo do dia, serão disponibilizadas 30 viagens extras além da grade convencional, com redução dos intervalos entre trens nos horários de maior demanda, especialmente nos períodos da manhã e da tarde.
A operação contará ainda com reforço das equipes de estações, segurança, manutenção e monitoramento operacional, com atuação dedicada para orientação e suporte aos clientes durante todo o período de maior fluxo. A TrensRJ afirmou que monitora a movimentação nas estações em tempo real e poderá realizar ajustes operacionais adicionais, caso necessário, para garantir maior fluidez e segurança na operação.
Veja como está a circulação nos ramais:
- Ramal Japeri - intervalo médio de 8 minutos
- Ramal Santa Cruz - intervalo médio de 9 minutos
- Ramal Deodoro - intervalo médio de 8 minutos
- Ramal Saracuruna - Gramacho x Central do Brasil com intervalo médio de 12 minutos; Saracuruna x Gramacho com intervalo médio de 30 minutos
- Ramal Belford Roxo - intervalo médio de 15 minutos
O MetrôRio informou que segue com a operação reforçada nesta terça-feira.
BRT
A MOBI-Rio informou que registrou um aumento de 26% da frota em sua operação em comparação à segunda-feira. Segundo a companhia, nos horários de pico de segunda-feira a frota atingiu 68% do plano operacional previsto. Segundo a Mobi-Rio, dos 541 articulados que costumam circular neste horário, há 361 nas ruas. Esse número representa 67% da operação programada.


