Divulgação/Fifa
A ascensão do futebol nos EUA
Apesar do sucesso da Copa de 1994, a MLS enfrentou dificuldades nos primeiros anos. A liga ainda tinha pouco investimento de patrocinadores e gastava muito com o aluguel de grandes estádios da NFL. Ao decorrer do tempo, os clubes passaram a construir arenas menores e específicas para o futebol e adotaram um modelo de crescimento gradual.
O grande ponto de virada aconteceu em 2007, com a chegada de David Beckham ao LA Galaxy após sua passagem pelo Real Madrid. Além de aumentar a visibilidade da liga, o inglês ajudou a atrair patrocinadores e investidores.
A frequência nos estádios aumentou em até 40%, enquanto os direitos de transmissão cresceram significativamente. Os valores de TV, que rendiam cerca de 8 milhões de dólares, passaram para 90 milhões de dólares (cerca de R$ 465,4 milhões, na cotação atual).
As vendas comerciais também dispararam, impulsionadas principalmente pela comercialização de ingressos e produtos relacionados ao astro inglês. Entre 2007 e 2008, foram vendidas cerca de 300 mil camisas de Beckham, número superior ao de qualquer outro esportista dos Estados Unidos no período.
Além disso, a chegada de Beckham abriu caminho para outras estrelas do futebol mundial. Nomes como Thierry Henry, Frank Lampard, Kaká, Steven Gerrard, Andrea Pirlo, David Villa e Zlatan Ibrahimovic passaram pela MLS. Mais recentemente, a liga ganhou ainda mais repercussão com a chegada de Lionel Messi, Luis Suárez e outros ex-jogadores do Barcelona ao Inter Miami, clube que tem Beckham como um dos donos.
Como está o futebol nos Estados Unidos em 2026
Atualmente, o futebol deixou de ser um esporte secundário nos Estados Unidos e se tornou uma das modalidades mais populares do país. Segundo a revista 'The Economist', 10% dos americanos consideram o futebol seu esporte favorito, superando o beisebol. Apenas o futebol americano e o basquete aparecem à frente em popularidade.
O crescimento da modalidade também reflete nos investimentos. Para manter Messi no Inter Miami, por exemplo, o argentino recebe cerca de 28,3 milhões de dólares por ano (cerca de R$ 146,3 milhões). Outras equipes seguem apostando em contratações de impacto. Recentemente, o Tottenham Hotspur confirmou a transferência de Son Heung-min para o Los Angeles FC em uma negociação avaliada em aproximadamente 26 milhões de dólares (cerca de R$ 134,46 milhões).
O valor médio das franquias da MLS também cresceu consideravelmente e chegou a cerca de 767 milhões de dólares em 2026 (cerca de R$ 3,96 bilhões).
Além dos investimentos dos clubes, grandes empresas passaram a enxergar o futebol como um possível nome para investir. Nos últimos anos, a MLS assinou com a Apple um contrato de dez anos avaliado em 250 milhões de dólares por temporada (cerca de R$ 1,18 bilhão), válido até 2032. Já a Adidas segue como fornecedora oficial de uniformes de toda a liga em um acordo estimado em 830 milhões de dólares(R$ 4,29 bilhões).
Copa do Mundo de 2026
Em 2026, os Estados Unidos recebem a Copa do Mundo pela segunda vez em sua história, mas em um contexto completamente diferente do vivido em 1994. O que antes era um evento disputado em um país com pouca tradição futebolística, agora acontece em uma nação que possui uma liga consolidada e milhões de fãs do esporte.
Desta vez, os Estados Unidos dividem a organização do torneio com México e Canadá. A competição contará com um número recorde de participantes, reunindo 48 seleções. A partida de abertura acontece no dia 11 de junho, entre México e África do Sul, na Cidade do México.
A Copa do Mundo de 2026 também será a maior da história, com 104 partidas. Os Estados Unidos receberão 78 jogos distribuídos em 11 cidades, incluindo Nova York/Nova Jersey, palco da final, além de Los Angeles, Miami, Dallas, Boston, Houston, Filadélfia, Atlanta, Kansas City, Seattle e São Francisco.
O México sediará 13 partidas em três cidades: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. Já o Canadá receberá outros 13 jogos, divididos entre Toronto e Vancouver.
*Reportagem de Bernardo Fonseca, João Vitor Cravo e Marcus Vinicius Balbino sob supervisão de Theo Faria