
A vez de John Crimber chegou. O "fenômeno" conquistou seu primeiro título mundial de montaria em touros pela Professional Bull Riders (PBR) com uma arrancada no final que lhe foi suficiente para manter a liderança do campeonato. Aos 20 anos, ele é o 23º competidor a conquistar o primeiro lugar no campeonato e 13º de origem americana. Mas, com um detalhe: ele defende a bandeira dos Estados Unidos, mas tem DNA verde e amarelo.
John é filho de Paulo Crimber, lendário peão brasileiro com dez participações em finais da competição. E não deixou de homenagear o pai quando confirmou a conquista do título mundial.
"Este título mundial não é só para mim. É também para o meu pai. Foi ele quem me trouxe até aqui e me fez quem eu sou. A carreira dele foi interrompida precocemente, então este título é para ele, não para mim”, disse ele, de acordo com o divulgado pela PBR.
Nascido em Decatur, no Texas, cidade onde moram a maioria dos peões brasileiros, John se criou nas arenas vendo o pai montar. E seu talento apareceu cedo. Antes mesmo de entrar no circuito profissional, John já acumulava mais de 20 títulos no mutton busting (montaria em carneiros), o que evidencia sua precocidade e domínio desde cedo.
No profissional, Crimber rapidamente quebrou barreiras históricas: foi primeira escolha geral do Draft da PBR Teams Series e se tornou o mais jovem atleta da história da organização a ultrapassar US$ 1 milhão em ganhos.
Em sua primeira participação na Unleash The Beast, a primeira divisão da PBR, ele venceu uma das etapas, terminou em segundo lugar por cinco vezes e nas finais cravou a melhor montaria da temporada, obtendo nota 95 no lombo de Ricky Vaughn. Além disso, já conquistou títulos importantes como MVP da Teams Series (duas vezes) e uma vitória em evento da Velocity Finals.
Os números da carreira de John reforçam o seu alto nível competitivo: são mais de 190 montarias completas, cerca de 57% de taxa de sucesso e 27 montarias acima de 90 pontos. Na temporada 2026, montou 58 vezes e parou 32 os oito segundo em cima dos touros, um aproveitamento de 55,17%, com uma nota média de 88,17%.
Com o bônus de US$ 1 milhão, o atleta, que é um dos principais nomes da nova geração da PBR, terminou a temporada com US$ 1,242 milhão em premiações ao longo da temporada.
“É com isso que sonho desde criança, quando brincava na sala de casa fingindo ser um peão de rodeio. É para isso que vivemos – para nos tornarmos campeões mundiais e os melhores peões de rodeio do mundo – e eu não conseguiria sem meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo”, disse Crimber na transmissão oficial do evento.
Segundo o perfil de John no site da PBR, seu estilo de montaria combina agressividade e controle, com capacidade de pontuar alto em grandes arenas. Ele também já protagonizou momentos marcantes, como sua montaria de 95 pontos em Big Bank no AT&T Stadium, um dos palcos mais emblemáticos da PBR.
Fora das arenas, ele mantém uma identidade típica do cowboy moderno: humorado com colegas, competitivo quando necessário e muito ligado às raízes familiares. Ele também é proprietário de diversos touros e demonstra forte envolvimento com o lado técnico e estratégico do esporte.
"Todo fim de semana, saio para competir tentando ser o melhor, sem deixar nada para trás e sem arrependimentos", disse John em uma entrevista ao site da PBR, em 2024.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2024/1/D/U1pvI4QzA0ArmSleLcng/john-crimber-e-cassio-dias-que-disputaram-o-titulo-mundial-ate-a-ultima-montaria.jpeg)
DNA vencedor
O pai de John, Paulo Crimber, 46 anos, foi dez vezes finalista da PBR. Em 2024, ele recebeu o Anel de Honra da competição, distinção destinada aos peões consagrados na montaria.
Crimber pai cresceu em Olímpia (SP), rodeado por cavalos e gado. Fã de faroestes americanos na infância, desenvolveu uma paixão pelo estilo de vida cowboy. Aos sete anos, assistiu pela primeira vez a um rodeio. "Eu vi um peão montando e já sonhava e me imaginava fazendo aquilo", contou, em entrevista ao site oficial da PBR.
Já aos 14 anos, começou a competir em eventos amadores e com 16 já estava ganhando competições profissionais. Foi aos 18 anos, no entanto, que historicamente venceu na primeira rodada de um rodeio em Barretos (SP) e classificou-se para as finais mundiais da PBR. Foi o brasileiro mais jovem a participar do evento que decide a temporada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2024/q/g/eBWWxBRCu9QxBAx7AU6w/7882f894-73a9-4fa3-990c-25b98c4e600d.jpg)
Era o começo da carreira de Crimber, que chegou a dez finais mundiais, com um histórico de 283 paradas em 554 montarias, garantindo uma taxa de vitória de 51%. Em 2008, porém, ele precisou tomar outro rumo. Em uma competição na cidade de Springfield, no Missouri, quebrou o pescoço.
Quando voltou a competir, em junho do mesmo ano, sofreu outra contusão. Foi jogado para baixo de um touro, lesionando gravemente sua coluna. Ficou seis meses acamado e nunca mais competiria no mesmo nível.
Depois de alguns meses afastado do esporte trabalhando em ranchos no Texas, Paulo Crimber retornou à PBR como juiz de competições. Segundo a publicação oficial da PBR, ele teve uma carreira tão meteórica quanto a de peão. Em, 2010 já foi escolhido para avaliar as finais.
Em 2011, voltaria brevemente a competir, para realizar um sonho: que seu filho, John, o visse montar profissionalmente. Agora, a carreira meteórica do jovem relembra a trajetória do pai.
Mundial de Montaria em touros da PBR - Classificação final
| Posição | Peão | Pontuação | Montarias | Paradas | Aproveitamento |
| 1 | John Crimber | 1.242,50 | 58 | 32 | 55,17% |
| 2 | Brady Fielder | 1.063,67 | 61 | 33 | 54,10% |
| 3 | Hudson Bolton | 992,50 | 35 | 21 | 60% |
| 4 | Paulo Eduardo Rossetto | 849 | 57 | 26 | 45,61% |
| 5 | Luciano de Castro | 827 | 50 | 25 | 50% |
| 6 | Sage Steele Kimsey | 805 | 49 | 25 | 51,22% |
| 7 | Daylon Swearingen | 662,17 | 41 | 21 | 51,22% |
| 8 | Claudio Montanha Jr. | 631,50 | 54 | 25 | 46,30% |
| 9 | Leandro Zampollo | 620,50 | 48 | 26 | 54,17% |
| 10 | Alex Cerqueira | 603,50 | 59 | 30 | 50,85% |


