Elon Musk quer usar a Lua como base para turbinar a IA e lançar satélites com “canhões” gigantes em um plano que promete energia até 1.000 vezes maior

Elon Musk apresentou o Projeto TERAFAB com a proposta de usar propulsores eletromagnéticos na Lua para lançar satélites de inteligência artificial, transferir parte da infraestrutura energética para o espaço e tentar romper o limite terrestre de expansão dos centros de dados

 Elon Musk apresentou uma proposta para transferir parte da infraestrutura mais intensiva em energia da inteligência artificial para a Lua, usando propulsores de massa eletromagnéticos para lançar satélites a partir da superfície lunar.
 

A iniciativa, inserida no Projeto TERAFAB, busca superar o que ele chamou de “teto de terawatts” da computação terrestre e abrir caminho para uma escala de inteligência em nível de petawatts.

CA proposta foi revelada por Musk durante uma apresentação realizada no fim de semana na Giga Texas. Segundo o plano, a Lua passaria a abrigar uma base industrial voltada à produção e ao envio de infraestrutura orbital de IA, aproveitando condições locais consideradas favoráveis para esse tipo de operação.
 

Projeto TERAFAB mira infraestrutura de IA na Lua

O plano de Elon Musk parte da avaliação de que a Terra enfrenta limitações de espaço e energia para sustentar a expansão de grandes projetos de inteligência artificial. A proposta é deslocar essa demanda para a superfície lunar, explorando recursos e condições que, na visão apresentada, permitiriam ampliar a capacidade computacional em escala muito superior à disponível hoje.

Entre os fatores destacados estão o vácuo lunar, a baixa gravidade e o uso de energia solar. Na apresentação, foi afirmado que painéis solares no espaço são cerca de cinco vezes mais eficientes do que na Terra, onde nuvens e a atmosfera densa reduzem o rendimento da captação.

 

Em vez de depender da ampliação do uso de foguetes, o plano prevê a construção de uma pista eletromagnética de grandes dimensões.

Essa estrutura seria usada para lançar satélites equipados com inteligência artificial ao espaço por meio da energia solar, sem recorrer a propelentes químicos.

Propulsores de massa e lançamentos sem combustível químico

As pistas eletromagnéticas imaginadas para o projeto poderiam se estender por dezenas de quilômetros. O objetivo seria usar campos magnéticos para acelerar os satélites até a velocidade de escape lunar, transformando a superfície da Lua em uma plataforma de lançamento para uma rede orbital distribuída.

Segundo a proposta apresentada, esse modelo eliminaria a necessidade de combustíveis químicos caros e voláteis. Também dispensaria estágios de propulsão descartados, apontados no plano como elementos que poluem os oceanos da Terra.

 

Outra frente mencionada por Musk envolve o uso da Starship, da SpaceX, para transportar o hardware inicial necessário à implantação da estrutura. A partir dessa base, o sistema poderia evoluir para uma rede orbital capaz de fornecer mil vezes mais energia do que os sistemas atuais, de acordo com a projeção apresentada.

Fábrica lunar e opções técnicas em estudo

A visão anunciada inclui ainda a criação de uma fábrica lunar operada por robótica. Essa instalação teria a função de fabricar satélites de inteligência artificial movidos a energia solar, que depois seriam enviados para uma rede orbital distribuída por meio dos propulsores eletromagnéticos.

Dois modelos principais estão sendo considerados para essa etapa. Um deles é o canhão eletromagnético, descrito como um sistema que utiliza uma única e poderosa rajada de força para impulsionar a carga.

O outro modelo em análise é o canhão de bobina, que emprega uma sequência de ímãs temporizados para produzir uma aceleração constante e controlada. Entre as duas alternativas, essa segunda opção foi apontada como a preferida para proteger cargas sensíveis de inteligência artificial durante o lançamento.

Mudança de prioridade e desafios do plano

A proposta do propulsor de massa lunar foi apresentada como peça central de uma mudança estratégica mais ampla anunciada pela SpaceX em fevereiro de 2026. Na ocasião, a empresa passou a priorizar uma cidade lunar “autossustentável” em vez da colonização imediata de Marte.

 

Embora Marte continue sendo tratado como a garantia de sobrevivência da humanidade no longo prazo, a Lua foi descrita como a prioridade industrial imediata.

Um dos argumentos logísticos citados é a frequência das janelas de lançamento, que ocorreriam a cada 10 dias para a Lua, contra uma espera de 26 meses para Marte.

O conceito de uma arma espacial magnética, porém, não é novo. O texto lembra que essa ideia existe desde que Edward Fitch Northrup a teorizou em 1937, mas ressalta que ela continua puramente teórica e ainda não saiu da prancheta para chegar à superfície lunar.

Críticos já apontam a dimensão dos cálculos envolvidos na proposta. Segundo essas avaliações, o lançamento de mais de um milhão de toneladas de material, necessário para alcançar um petawatt de potência, exigiria cerca de 135 lançamentos da Starship por dia.

Apesar das dificuldades apontadas, Elon Musk apresentou o plano como uma tentativa de levar a computação ao limite físico. “Vamos levar a física ao limite na computação e fazer coisas incríveis e malucas”, disse o empresário.

Em outro momento da apresentação, Musk também afirmou: “Quero viver o suficiente para ver o lançador de massa na Lua”. A proposta, embora ambiciosa e ainda teórica, foi apresentada como parte de uma estratégia para deslocar a expansão energética da inteligência artificial para fora da Terra e reduzir a competição entre centros de dados e cidades pelo consumo de energia terrestre.