Réptil marinho primitivo de pescoço comprido é desenterrado na China

A descoberta do Lijiangosaurus yongshengensis, com pescoço formado por 42 vértebras cervicais, revela que o alongamento cervical extremo surgiu entre sauropterígios do Triássico Médio antes do aparecimento dos plesiossauros

O fóssil de Lijiangosaurus yongshengensis, um réptil marinho primitivo com mais de 2,5 metros e pescoço formado por 42 vértebras cervicais, foi desenterrado na China, revelando alongamento cervical extremo no Triássico Médio entre 247 e 241 milhões de anos.

Descoberta e contexto geológico

O esqueleto fossilizado foi encontrado em uma localidade até então desconhecida do início do Triássico Médio, inserida na Formação Beiya, na província chinesa de Yunnan, próxima ao leste do Planalto Tibetano e ao norte de Myanmar.

A área difere das regiões ricas em fósseis anteriormente documentadas no sudoeste da China, especialmente nas zonas próximas à fronteira entre as províncias de Yunnan e Guizhou, segundo a equipe responsável pela escavação.

Classificação e características gerais

O Lijiangosaurus yongshengensis é classificado como um notossauro, pertencente ao clado dos répteis marinhos sauropterígios, grupo que se estabeleceu como componente central dos ecossistemas marinhos durante o Triássico Inferior e Médio.

Os notossauros podiam atingir até 7 metros de comprimento e nadavam usando quatro membros semelhantes a remos, apresentando crânios achatados e dentes cônicos finos usados para capturar peixes e lulas.

 
O tamanho corporal dos notossauros era geralmente maior que o dos paquipleurossauros, porém menor que o dos pistossauros, grupo que inclui os plesiossauros, répteis marinhos conhecidos por seus pescoços longos.

Estrutura do pescoço e singularidade anatômica

O espécime identificado possuía um crânio pequeno e comprimento corporal superior a 2,5 metros, mas se destacou por desenvolver um pescoço execepcionalmente longo, composto por 42 vértebras cervicais.

Esse número representa o dobro do observado na maioria dos sauropterígios da mesma época, superando o limite de 30 vértebras cervicais adotado como referência para definição de pescoços longos ou alongados.

Embora os plesiossauros sejam geralmente caracterizados por pescoços extraordinariamente longos, o novo fóssil indica que essa adaptação surgiu antes do aparecimento dos plesiossauros e de seus ancestrais pistossauros.

Implicações evolutivas do achado

 

A descoberta demonstra que o alongamento cervical extremo se desenvolveu nos sauropterígios em um estágio mais antigo da evolução marinha, antecipando uma característica considerada icônica nos plesiossauros posteriores.

Além disso, o Lijiangosaurus yongshengensis apresenta um tipo único de articulação intervertebral acessória, diferente das observadas em outros répteis marinhos conhecidos até agora.

Os pesquisadores atribuem essa estrutura à redução da ondulação corporal, indicando adaptações funcionais específicas na coluna vertebral durante a evolução inicial dos sauropterígios marinhos.

Contribuição para a paleontologia

O achado amplia a diversidade conhecida de articulações intervertebrais acessórias em répteis e destaca a grande plasticidade da coluna vertebral nos primeiros estágios evolutivos dos sauropterígios.

Apesar de numerosas espécies descritas, os notossauros apresentam menor diversidade morfológica em nível de gênero quando comparados a outros subgrupos de sauropterígios, o que torna o novo fóssil ainda mais relevante.

 

O estudo reforça que os sauropterígios incluíam placodontes, paquipleurossauros, notossauros e os primeiros pistossauros, compondo um grupo diverso que dominou ambientes marinhos por cerca de 180 milhões de anos.

Os resultados da pesquisa, conduzida por paleontolgos do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, foram publicados na revista Communications Biology.