
Em 2001 e 2002, Israel ainda dependia pesadamente do Mar da Galileia e de aquíferos limitados, consumindo cerca de 513 milhões de metros cúbicos por ano de suas fontes naturais. A partir de 2005, com a expansão de usinas de dessalinização e, em 2013, com a entrada em operação da planta de Sorek, o país acelerou uma virada histórica e reduziu esse consumo a apenas 25 milhões de metros cúbicos em 2018 e 2019.
Enquanto isso, a partir de 2010, a região ao redor se aprofundava em uma crise: Irã, Iraque, Síria, Turquia, Jordânia e Iêmen acumulavam reservatórios quase vazios, rios em retração e cidades à beira do racionamento. Nesse mesmo contexto, Israel passou a dessalinizar cerca de 2 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, estabilizou o nível do Mar da Galileia com um sistema reverso de bombeamento inaugurado em 2023 e consolidou a água como prioridade de segurança nacional.
Um deserto cercado por vizinhos à beira da seca

No Iraque, as águas do Tigre e do Eufrates não chegam nem à metade do volume histórico, e moradores de Basra são obrigados a beber água salgada.
Na Síria, depois de mais de uma década de guerra, a seca transformou antigas áreas agrícolas em campos de poeira.
Na Turquia, o recuo das águas subterrâneas na planície de Konya abriu crateras no solo, enquanto Istambul e Izmir se aproximam da escassez de água.
A Jordânia figura entre os países com menor disponibilidade hídrica per capita, e no Iêmen a água se tornou mais valiosa que o petróleo, sintetizando a gravidade da crise.
Nesse cenário regional de colapso, Israel aparece como anomalia hídrica.
Em vez de recuar, o país aumentou sua oferta de água potável, estabilizou reservatórios e ainda passou a exportar tecnologia de dessalinização e reúso.
A diferença não está na geografia, mas em décadas de investimento em ciência, infraestrutura e regulação voltadas a extrair o máximo possível de cada gota disponível.
De um país dependente do Mar da Galileia ao limite da escassez

Metade do território de Israel está sob clima semiárido, e o sul é dominado por um deserto com média anual de apenas 20 milímetros de chuva.
No norte, a precipitação gira em torno de 800 milímetros, caindo para cerca de 400 milímetros no interior leste.
Historicamente, Israel se apoiava sobretudo no Mar da Galileia e em aquíferos subterrâneos limitados para atender população, agricultura e indústria.
O crescimento populacional, a intensificação da agricultura e ciclos de seca cada vez mais severos levaram essas fontes ao limite no fim do século 20.
Os níveis do Mar da Galileia se aproximavam de marcas consideradas perigosas, e a retirada contínua de água ameaçava tanto o abastecimento quanto o ecossistema do lago.
Foi esse contexto que empurrou Israel a tratar a dessalinização não como opção ambiental, mas como necessidade estratégica de sobrevivência e segurança nacional.
Como Israel transformou o Mediterrâneo em água potável
A virada começou ainda nos anos 1960, quando o químico Alexander Zarchin desenvolveu um processo de dessalinização baseado em congelamento a vácuo e fundou a IDE Technologies em 1965.
A tecnologia inicial não era eficiente, mas abriu caminho para a adoção posterior da osmose reversa, que hoje domina o parque de usinas israelenses.
Em 1997, Israel inaugurou sua primeira usina de dessalinização de água do mar em Eilat.


