
Xinyu, China – A história de um bilionário que teria demolido as casas de madeira da sua aldeia natal e construído apartamentos de luxo gratuitos para todos os moradores viralizou nas redes em 2014.
O protagonista seria Xiong Shuihua, empresário da província chinesa de Jiangxi, conhecido por sua fortuna no setor do aço. Mas, por trás das manchetes, existe uma história mais complexa, e real, de solidariedade coletiva e reconstrução comunitária.
Uma transformação planejada e coletiva
A aldeia de Xiongkeng, localizada na cidade de Xinyu, era formada por casas de madeira e estradas de barro. Em 2012, quatro empresários da família Xiong, entre eles Xiong Shuihua, decidiram investir uma parte de sua riqueza na transformação do local onde cresceram.
Segundo registros da People’s Daily Online e da Xinhua, o projeto previa a construção de 18 blocos residenciais com 72 casas geminadas de três andares, cada uma com mais de 200 metros quadrados.
O plano incluía um modelo misto: famílias de baixa renda, especialmente as atendidas pelo sistema de “cinco garantias” do governo chinês, receberam as casas de forma totalmente gratuita, enquanto outras famílias contribuíram com 30 mil yuans (cerca de R$ 22 mil na cotação atual).
O objetivo era substituir moradias precárias por residências modernas e seguras, sem deslocar os moradores originais.
A versão que conquistou o mundo
Quando a imprensa ocidental descobriu o caso, a história ganhou contornos quase cinematográficos. Veículos como o The Telegraph e sites de notícias populares descreveram Xiong Shuihua como “o bilionário que voltou à aldeia e reconstruiu tudo com as próprias mãos”.
Fotos de ruas pavimentadas, prédios novos e famílias sorrindo correram o mundo, acompanhadas da informação de que ele também ofereceria três refeições diárias gratuitas a idosos e pessoas de baixa renda.
De fato, as fontes chinesas confirmam que parte da comunidade recebeu benefícios adicionais, mas os detalhes sobre a oferta contínua de refeições não aparecem com clareza em documentos oficiais.
A narrativa internacional simplificou o processo, omitindo o fato de que outros três empresários participaram da iniciativa e que nem todas as famílias receberam moradias sem custo algum.

Um projeto admirado, mas não isento de problemas
Quatro anos após o início do projeto, a South China Morning Post publicou uma atualização mostrando que muitas casas estavam vazias e que houve conflitos entre os moradores sobre o uso das propriedades.


