Veja 7 momentos em que o planeta esteve à beira da 3ª Guerra Mundial

Episódios mostram como mundo já se aproximou de um conflito global em diversas ocasiões – e por que tensão voltou a crescer

Rússia já estaria em uma etapa preparatória de um possível conflito direto com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). É o que sugerem relatórios do ISW (Instituto para o Estudo da Guerra), obtidos e noticiados pelo jornal britânico The Sun.

De acordo com os documentos, o Kremlin entrou no que especialistas chamam de “fase zero” – um estágio de guerra híbrida que combina desinformação, ataques cibernéticos e operações secretas.

O ISW descreve essa fase como “informativa e de preparação psicológica” para um confronto futuro. Enquanto isso, Moscou tem usado a guerra na Ucrânia como campo de aprendizado, aperfeiçoando táticas e testando a reação dos países da aliança.

Philip Ingram, ex-oficial de inteligência e planejador da Otan, disse ao The Sun que o governo russo parece estar analisando o comportamento político e militar do Ocidente diante de ataques com drones, espionagem e sabotagens. “Putin quer identificar brechas e testar se a Otan realmente está pronta para se defender”, afirmou.

Abaixo, o R7 relembra sete episódios em que o mundo esteve à beira de uma Terceira Guerra Mundial — de Berlim, nos anos 1960, até as recentes tensões entre Rússia e países membros da Otan.

1. Tanques frente a frente em Berlim (1961)

Em outubro de 1961, poucos meses após a construção do Muro de Berlim, um diplomata norte-americano tentou cruzar o ponto de controle “Checkpoint Charlie” em direção à Alemanha Oriental. Policiais locais exigiram documentos, mas os Estados Unidos não reconheciam a autoridade da Alemanha comunista.

O diplomata se recusou e retornou escoltado por jipes e soldados aliados. Os soviéticos, avisados sobre a movimentação, enviaram seus próprios tanques. Durante três dias, veículos blindados dos EUA e da União Soviética ficaram cara a cara em uma rua da capital alemã.

O impasse terminou apenas quando Washington sugeriu aos soviéticos que recuassem um tanque como gesto inicial – o que foi seguido pelos norte-americanos logo depois. A crise foi encerrada sem disparos, mas Berlim Ocidental continuou sendo, até 1989, o principal símbolo da presença ocidental dentro do bloco comunista.

2. Mísseis em Cuba (1962)

Crise dos Mísseis em Cuba, um ano depois, é considerada o momento mais perigoso da Guerra Fria. A União Soviética instalou mísseis nucleares na ilha caribenha, levando o presidente norte-americano John F. Kennedy a impor um bloqueio naval.

Durante 13 dias, as duas superpotências ficaram em impasse. Qualquer erro de cálculo – ou até mesmo um simples acidente – naquele momento poderia ter provocado uma guerra nuclear.

O líder de Cuba, Fidel Castro, então aliado de Moscou, chegou a sugerir que os soviéticos lançassem um ataque nuclear preventivo caso Cuba fosse invadida. Nikita Khrushchev recusou e repreendeu o cubano.

O confronto terminou com um acordo secreto: Kennedy concordou em retirar mísseis norte-americanos da Turquia, e Khrushchev, em troca, removeu os de Cuba. Mesmo assim, o líder soviético saiu enfraquecido e acabou deposto dois anos depois.

3. Vietnã (1965)

Em novembro de 1965, o presidente norte-americano Lyndon Johnson discutia a escalada da Guerra do Vietnã com seus generais, irritado por considerá-los dispostos a “arriscar uma guerra nuclear pelo Vietnã”.

No mesmo período, em Moscou, algo semelhante acontecia. Segundo as memórias do político soviético Anastas Mikoyan, o Estado-Maior da URSS defendia ações mais agressivas contra o Ocidente, como uma “demonstração militar” em Berlim e até o envio de tropas à fronteira com a Europa Ocidental.

Os militares diziam não temer o risco de uma eventual guerra global àquela altura. Mikoyan escreveu que ficou “assustado” com a proposta e que os líderes civis soviéticos rapidamente a rejeitaram.

Com ambos os lados – norte-americanos e soviéticos – ampliando o envolvimento indireto no Vietnã, que durou de 1955 a 1975, o ano de 1965 esteve mais próximo do que se imagina de uma escalada global.

4. Oriente Médio em chamas (1973)

Após a derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o Egito buscava revanche contra Israel. Em 1973, com apoio da Síria, lançou o ataque surpresa que deu início à Guerra do Yom Kippur.

Israel reagiu e, com o apoio dos EUA, conseguiu cercar o Terceiro Exército egípcio. Moscou, que apoiava o Egito, propôs uma intervenção militar conjunta para separar os lados – o que Washington rejeitou, vendo na ideia uma tentativa de enviar tropas soviéticas ao Oriente Médio.

A União Soviética então ameaçou intervir sozinha. O governo de Richard Nixon respondeu elevando o alerta militar dos Estados Unidos, inclusive o nível de prontidão nuclear.

Os soviéticos acabaram recuando. Mas, segundo Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano, aquela foi uma das mensagens mais ameaçadoras que Moscou já enviou à Casa Branca.

5. Exercício militar que quase virou guerra (1983)

Em 1983, a tensão entre Estados Unidos e União Soviética atingia níveis inéditos. O presidente Ronald Reagan chamava a URSS de “império do mal”, enquanto o líder soviético Yuri Andropov, ex-chefe da KGB, via conspirações em cada movimento ocidental.

Em novembro, a Otan realizou o exercício “Able Archer”, uma simul