Trabalhador descobriu há cinco anos diamante de 442 quilates em mina, avaliado em até US$ 18 milhões, e transforma seu pequeno país africano em destaque mundial

Descoberto em 2020 nas montanhas do Lesoto, o diamante de 442 quilates avaliado em US$ 18 milhões transformou o pequeno país africano em um dos maiores polos de gemas raras do planeta.

Poucas descobertas na história recente da mineração africana chamaram tanta atenção quanto a que ocorreu em agosto de 2020, nas montanhas do Lesoto, um dos menores e mais altos países do continente. Foi ali, a mais de 3.100 metros de altitude, que trabalhadores da mina Letšeng encontraram um diamante bruto de 442 quilates, equivalente ao tamanho de uma bola de golfe e avaliado em até US$ 18 milhões, segundo estimativas da empresa Gem Diamonds Ltd. e da Bloomberg.

 

A descoberta não apenas levou o nome do país a jornais do mundo inteiro, como também reforçou o papel do Lesoto como um dos territórios mais ricos em gemas de alta qualidade. A mina Letšeng é hoje sinônimo de raridade: seus diamantes estão entre os mais puros e valiosos da Terra, alcançando valores médios até cinco vezes maiores que os de outras jazidas africanas.

O brilho das montanhas: a mina Letšeng e sua altitude impressionante

Localizada em uma das regiões mais altas do planeta, a mina Letšeng é um colosso da mineração moderna. Operada pela Gem Diamonds Ltd., ela fica a 3.100 metros acima do nível do mar, no norte do Lesoto, e tem uma característica singular: a produção é pequena em volume, mas gigantesca em valor.

O local é tão remoto e frio que boa parte das operações precisa ser feita em turnos curtos, devido à altitude e às variações extremas de temperatura, que chegam a -15°C no inverno. Ainda assim, centenas de trabalhadores se revezam dia e noite, escavando a terra vulcânica que guarda algumas das pedras mais raras do mundo.

 

Um achado que brilha na história dos diamantes

De acordo com a Bloomberg e o portal National Jeweler, o diamante de 442 quilates foi classificado como de “qualidade gema”, termo usado para definir pedras com alto grau de pureza e transparência, ideais para lapidação de joias finas. Após análise inicial, os especialistas estimaram que o valor da pedra poderia chegar a US$ 18 milhões, dependendo do corte e da demanda no mercado internacional.

Embora a descoberta tenha sido feita dentro de uma operação industrial, o evento ganhou dimensão simbólica por acontecer em meio à pandemia, quando a produção mineral global enfrentava desaceleração.

O diamante se tornou, portanto, uma espécie de símbolo de esperança econômica — não apenas para o Lesoto, mas para todo o setor de mineração africano.

O governo local, que possui participação acionária na mina, também se beneficiou da descoberta: 30% do valor líquido obtido com a venda das gemas é destinado ao Estado, fortalecendo a economia de um país que ainda enfrenta altos índices de pobreza, mas que encontra nos diamantes sua principal fonte de exportação e arrecadação.

Do chão ao mercado global: o caminho de uma joia milionária

 

Após sua extração, a pedra passou por uma triagem rigorosa, sendo lavada, pesada e registrada com precisão metrológica. Posteriormente, o diamante foi enviado para um centro especializado em Antuérpia, na Bélgica capital mundial da lapidação, onde seria cortado e transformado em joias de luxo.

Segundo a Gem Diamonds, pedras desse porte costumam ser divididas em partes menores, cada uma avaliada individualmente, já que o corte exige tecnologia a laser e semanas de planejamento. Um único erro pode reduzir o valor de mercado em milhões de dólares.

Especialistas afirmam que o diamante do Lesoto pode render diversas pedras lapidadas de qualidade “D Flawless”, o mais alto grau de pureza existente. Cada uma delas poderá ser vendida separadamente para joalherias europeias e asiáticas, mantendo o valor global estimado em torno dos US$ 18 milhões.

Lesoto: o pequeno gigante dos diamantes

Apesar de ter pouco mais de 2 milhões de habitantes e território menor que o Estado do Espírito Santo, o Lesoto é responsável por alguns dos maiores e mais valiosos diamantes já descobertos.

A explicação está na geologia: o país abriga rochas kimberlíticas, formações vulcânicas que criam as condições ideais para o surgimento de diamantes ao longo de milhões de anos.

 

A mina Letšeng,