Proibição russa não pega o Brasil: importações de diesel direto das refinarias somam US$ 5,3 bilhões

Mais de US$ 5 bilhões em diesel importados da Rússia garantem segurança energética ao Brasil, mesmo após decisão de Moscou de restringir exportações.

Uma decisão recente do Kremlin, anunciada em 23 de setembro de 2025, chamou a atenção do mercado internacional de combustíveis. Apesar da medida que restringe parte das exportações russas de diesel e gasolina, o Brasil não terá impacto, conforme afirmou Sérgio Araújo, presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), em entrevista à CNN.

 

Importações brasileiras asseguradas por contratos diretos

Segundo Araújo, a restrição definida pela Rússia atinge apenas os revendedores de diesel, mas não os produtores e refinarias. Como o Brasil mantém acordos de importação diretamente com as refinarias russas, o fluxo de abastecimento segue garantido.

De forma clara, Araújo destacou: “Não haverá impacto porque somente os revendedores ficam impedidos de exportar; os produtores seguem autorizados a vender”. Essa distinção assegura a continuidade dos embarques destinados ao mercado brasileiro, evitando riscos de desabastecimento.

US$ 5,3 bilhões em diesel importados em 2024

Os dados divulgados pela Abicom mostram que, apenas em 2024, o Brasil comprou aproximadamente US$ 5,3 bilhões em óleo diesel russo. O aumento nas compras começou após 2021, quando a guerra na Ucrânia levou a sanções impostas pela União Europeia contra combustíveis russos.

Com essas barreiras, os importadores brasileiros aproveitaram os preços mais competitivos, o que consolidou a Rússia como um dos principais fornecedores de diesel ao Brasil.

 

Escassez interna força Moscou a restringir exportações

A decisão do Kremlin surgiu da escassez de combustíveis dentro da Rússia, que se agravou em 2025. O governo proibiu, até o final do ano, as exportações de diesel por revendedores e de gasolina por revendedores e produtores.

Os postos de combustíveis russos enfrentam falta crescente de diesel e gasolina, situação que autoridades locais atribuíram inicialmente a “razões logísticas”. Entretanto, o problema aumentou nas últimas semanas, o que levou Moscou a priorizar o abastecimento interno.

Guerra acelera a crise energética russa

Além das dificuldades logísticas, os ataques ucranianos em 2025 contra refinarias, estações de bombeamento e trens de combustível russos agravaram o cenário. Kiev tinha como objetivo interromper as cadeias de fornecimento durante o verão europeu, período em que a demanda por combustíveis cresce devido às viagens de férias.

Mesmo com as promessas de Moscou de restabelecer a normalidade, a escassez interna aumentou, exigindo a medida emergencial de controle das exportações.

Brasil preserva posição no comércio global de diesel

 

Apesar das tensões internacionais, o Brasil mantém proteção com contratos ativos junto às refinarias russas, o que garante a chegada do diesel ao território nacional. Assim, enquanto o mercado interno da Rússia enfrenta escassez e medidas restritivas, o Brasil assegura segurança energética e preserva sua condição de