
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade do Pampa (Unipampa) identificaram rochas e solos com alta concentração de elementos de terras raras (ETRs) em Caçapava do Sul, na região central do Rio Grande do Sul.
Embora o termo "terras raras" possa sugerir uma presença limitada dos elementos que as compõem, elas estão presentes nas cinco regiões do país, e seus elementos existem em abundância. O "raro" vem da dificuldade na separação e refino dos minerais em óxidos, e de sua localização em áreas de difícil manejo e extração.
A UFSM coordena a coleta e análise de amostras de solo, vegetação e água, enquanto a UFRGS atua na caracterização mineralógica e geológica das rochas, e a Unipampa contribui com a identificação de áreas e análise ambiental da fauna local.
A região de Caçapava do Sul, em que a descoberta foi feita, apresenta alta concentração de terras raras, com níveis até 12 vezes maiores do que os dos solos de Cuba e até seis vezes maiores em comparação aos solos chineses, afirma à UFSM o pesquisador Lucas Mironuk Frescura. "Atualmente, já determinamos a concentração desses elementos em amostras de rocha, solo e vegetação nativa, a carqueja", diz ele.
No Brasil, as principais reservas de terras raras estão associadas a rochas alcalinas-carbonatíticas em estados como Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Em Minas Gerais, destacam-se os municípios de Araxá, Poços de Caldas e Tapira. Em Goiás, o município de Catalão é relevante, assim como Jacupiranga e Itapirapuã, em São Paulo. Além disso, o estado do Amazonas tem depósitos em Pitinga, e Goiás é conhecido por seus depósitos em Minaçu.
O Brasil é o segundo país do mundo em concentração de terras raras, com até 23% das reservas mundiais, mas não está entre os principais produtores e exportadores, e suas iniciativas de extração são abastecidas, em sua maior parte, por capital estrangeiro.



